"DEIXAR IR TAMBÉM É AMAR"
"Deixar ir também é amar"
Eu aprendi tarde, mas aprendi: o amor não se segura com súplicas, não se prende com lágrimas, não se implora com palavras. Amor não é cadeia. Quem ama não obriga ninguém a ficar, não pede que alguém fique contra a própria vontade.
Quando você disse que queria partir, meu peito doeu, é verdade. Mas vi nos seus olhos que já não havia paz em ficar. Que a estrada que chamava era maior que tudo o que nós tínhamos construído. E então entendi: se você estava feliz em ir, a coisa mais bondosa que eu podia fazer era soltar a sua mão.
Não foi desistência. Foi respeito. Não foi falta de amor. Foi amor no seu jeito mais verdadeiro - o que deseja ao outro o mesmo bem que se deseja a si mesmo.
Ficar só porque alguém pede, quando o coração já está em outro lugar, é aprisionar. É matar devagar o brilho de quem se ama. Eu preferi ver você partir livre, inteira, feliz - do que ver você ficar pela metade, com o olhar longe, esperando o momento de escapar.
Chorei, claro. Mas não pedi. Não supliquei. Não disse "fica". Porque o amor que implora não é amor. É necessidade. É medo. É querer mais para si do que para quem se diz amar.
Hoje sei: a maior prova de carinho que pude te dar foi deixar você seguir. E a maior prova de amor que pude dar a mim mesmo foi entender que quem quer ficar, fica sem precisar pedir. Quem não quer, nenhuma palavra prende.
Você foi. E eu fiquei. E no fim, os dois seguimos - cada um para o seu caminho, mas ambos em paz. Porque amar também é isso: deixar ir quando o outro já não pertence mais aqui.
( Divacy Lemos o Poeta dos Sonetos)
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