Mendigo na feira
O dono do bar amarrou logo a cara em alguma parte do bar onde era impossível de ser visto. Ele se aproximou, pegou-lhe pelo braço e o pôs para fora feito cão sarnento.
No outro lado da rua as bolsas iam e viam. O pirata, com seu som estridente, tocava uma brega. Movido pela música, o mendigo dançava com uma parceira invisível, fora de ritmo; expondo um riso cariado. Algumas pessoas riram, outras o desprezavam, enxotando-o.
Depois das risadas e do desdém, a esmola veio de costume: magra, áspera, fria, vazia; tornada apenas um hábito por causa das ideias cristãs. E ele seguia seu caminho abraçado com Dionísio, escárnio e ruindade.
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Comentários
Em geral, Dionísio é um pequeno deus cruel. Tolerado e festejado nos ricos, fonte de escárnio dos pobres. Como diria Mestre Jorge Amado: "Alegria se conserva em champanha; cachaça só consola desgraça, quando consola." É isso ai, poeta, o mundo é assim mesmo.
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