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O miserável

Eu sou o miserável que vaga

no vago da noite, procurando espaços,

brechas onde ninguém mais deseja habitar.

E lá, no mais recôndito e gélido canto,

canto minhas dores: dores de outrora

e dores de agora.

 

eu sou meu próprio miserável

sou meu próprio Jean Valjean

meu réu e meu carrasco.

 

E, ainda que sinta a doce presença

da amada, mesmo assim ainda

me sufocarei com meus próprios

pecados libidinosos, pecaminosos,

aterrorizantemente guardados

em minhas lembranças.

 

Que sangre o obscuro pensar.

Se em nós, todos os desejos são possíveis

então, saiamos por aí,

na tentativa desenfreada de realizá-los.

 

Penélope SS

5-2-10  00h:50

ESCRITO POR AdrianoRockSilva 1.08 M leituras
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