Tema

Ao verme

Ao verme?

Sim, ao verme, amigo.

 

Ao mesmo verme que roeu as frias

carnes do defunto-autor.

 

Ao mesmo que dançou

a macabra dança do ventre perante Sousa.

 

Ao mesmo que espreitou dos Anjos,

loucamente faminto, desejoso de suas carnes.

 

Ao verme que me consumirá,

não importa se hoje ou amanhã.

Ao verme que se alimentará

de nossas carnes impuras ou pagãs.

 

Que venha o sedento sugador

dos suculentos e saborosos corpos:

 

Corpos dos novos

Corpos dos velhos

Corpos das virgens

Corpos tão belos

Corpos infantis

Corpos primaveris

Corpos tão corpos

 

Aromáticos doces, frescores juvenis.

 

Venha verme vadio e

varra a vida que me viu passar tão vil

pelo vasto mundo dos Raimundos e Josés.

Venha! E simploriamente lhe concederei

minhas frias carnes,

pois já me remexo neste féretro fétido no qual me puseram.

 

Venha! E cumpra tua tarefa

tão árdua e ao mesmo tempo necessária.

 

Venha verme e alimente-se uma vez mais,

pois bem aventurados os que têm um verme para roer-lhes as carnes,

porque eles serão libertados.

 

Penélope SS

8-10-8   23h:35

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