Ninguém da Silva
Pobre, cansado, descalço
mulato, carente de abraço
perdido, desiludido
sem afeto nem teto
infectado
abandonado...
Sou um coitado
chorando em vão
ao léu
sob a lua e as estrelas
no frio e na chuva
ou sob o azul do céu
Atormentado ao relento
sigo sedento
pedindo esmola, cheirando cola
andando sempre na contra-mão
Meu nome é Ninguém da Silva
estou à margem da sociedade
e à mercê da piedade
de algum irmão
Você que passa por mim
nalguma praça
além do pão
quero carinho
só um pouquinho de atenção
Simone Moura e Mendes
(Poesia do livro Eu mesma...nua)
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Comentários
NÃO QUEREMOS PIEDADE PARA OS POBRES, QUEREMOS JUSTIÇA. SÓ A MERCÊ, QUE PODEMOS VER, O QUÃO É IMUNDA A VERDADEIRA PIEDADE "CRISTÃ" DOS CRISTÃOS DITOS. BJS E QUE LEGAL ESCREVER!
Obrigada, Eliana. Achei ótima sua intervenção. Apareça sempre, certo? Inclusive, quando puder, passeie pelo meu blog www.simonemouramendes.com