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Ninguém da Silva

Pobre, cansado, descalço
mulato, carente de abraço
perdido, desiludido
sem afeto nem teto
infectado
abandonado...
 

Sou um coitado
chorando em vão
ao léu
sob a lua e as estrelas
no frio e na chuva
ou sob o azul do céu
 

Atormentado ao relento
sigo sedento
pedindo esmola, cheirando cola
andando sempre na contra-mão
 

Meu nome é Ninguém da Silva
estou à margem da sociedade
e à mercê da piedade
de algum irmão

 

Você que passa por mim
nalguma praça
além do pão
quero carinho
só um pouquinho de atenção

 

Simone Moura e Mendes

(Poesia do livro Eu mesma...nua)

www.simonemouramendes.com

ESCRITO POR Simone Moura e Mendes 288 K leituras
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Comentários

Eliana Carvalho
Eliana Carvalho

NÃO QUEREMOS PIEDADE PARA OS POBRES, QUEREMOS JUSTIÇA. SÓ A MERCÊ, QUE PODEMOS VER, O QUÃO É IMUNDA A VERDADEIRA PIEDADE "CRISTÃ" DOS CRISTÃOS DITOS. BJS E QUE LEGAL ESCREVER!

Simone Moura e Mendes
Simone Moura e Mendes

Obrigada, Eliana. Achei ótima sua intervenção. Apareça sempre, certo? Inclusive, quando puder, passeie pelo meu blog www.simonemouramendes.com


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