Quem vestirá estas memórias
Todos os dias
Ela pendurava as suas memórias
Num varal improvisado
Uma e outra recordação suspensa
Por pregadores imaginários
Cada lembrança de uma cor diferente
A cada lembrança uma nova lágrima
E era só isso o que havia de novo
Era tudo repetido o que sobrava
No cheiro e na textura
A imensa saudade…
Como pode ser assim a vida,
Separar assim, de repente
Sem despedidas, nem nada…?
Sempre cedo, nunca tarde…
Ela chora e se pergunta:
Quem vestirá essas memórias,
Pelo que resta da eternidade?
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