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Caos da desigualdade

 

No cortiço, na taipa, no resto de coisas

…de qualquer coisa,

Da espuma, do papelão, do pedaço de telha

Num tudo em todo em nada

É no sofá rasgado, no vazio da geladeira,

No chão que se vai, em tempos de chuva

É na barriga que ronca

Nos olhares que se cruzam

Sem nada a dizer

Que se mostra o reflexo nu e mal passado

Ensangüentado e sem reflexo

Da autofagia humana de todos os dias

Do autoflagelo redundante de todos os dias

De todas as cidades

Patologicamente desiguais

ESCRITO POR Renan Silva 28 K leituras
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