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Dos Excluidos

 

 

Oh pátria minha! Mãe gentil

Teu filho pede esmola

Pede escola

Pede pão

Que voz horrível é essa?

Será vossa?

A voz que me diz...

Não.

 

Oh pátria minha! Mãe gentil... pariste.

Pra quê?

Teu filho que não foge à luta!

Porque não ouves meu brado retumbante?

Acaso sou eu filho da... Outra?

 

Oh pátria minha e tão distante dos meus sonhos

Mãe que me pariste.

Pra quê?

Para deixar-me só e triste?

Não é a ti que me oponho...

 

Teus donos, teus amantes.

Vindo de terras tão distantes

Deitar em teu berço esplêndido

Sugar com força tuas tetas

- palavras doces, frases belas, mutretas –

 

Oh Pátria minha, mãe! Comeste?

Pois que teu filho passa fome.

Mas, se ergue da justiça à clava forte,

Verás que um filho teu não foge à luta,

Mesmo que entregue à própria sorte

É filho teu... e não da... Outra.

 

Oh Pátria amada, idolatrada.

Salve, salve...

Enquanto há tempo.

Porque a paz tá no futuro

E tua glória no passado

E o discurso dos que finge que te amam...

Ultrapassado.

Se o teu futuro espelha esta grandeza

Volta tua face à pobreza

Terra adorada

Não vez que mascarada é a face da nobreza

Que gasta tua riqueza com prostituta

Mandando para fora teu bem mais precioso

Deixando à margem os sonhos do teu povo.

 

Se o teu futuro espelha essa grandeza

E o teu presente é dúvida e incerteza

Olha pra quem trabalha e não foge à luta

A quem é filho teu e não da... Outra.

Embriagado eternamente em beco esplêndido

Ao som da barriga a reclamar

E o sono profundo...

Da inércia.

Fulguras oh mãe gentil

Porão da América

Iludindo sem piedade a todo mundo.

 

O meu amor por ti, me faz seguir adiante.

E é por amor que o coração diz: cante

É por saber-me vencedor, mesmo vencido.

Que ergo da injustiça com voz forte

Falando pelos meus pares excluídos

Um brado que ecoe retumbante.

 

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(Emanuel Galvão - Livro Flor Atrevida - Quadrioffice/2007)

ESCRITO POR Emanuel Galvão 84 K leituras
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