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Fardo (carta ao amigo Carlos Drummond)

Caro amigo Drummond, confesso-te:

é demasiado pesado o fardo

que carregamos. Nestes dias de desumanidade

é preciso ser muito mais que humano.

 

É preciso ser super-, hiper-,

para suportarmos a carga da vida.

 

Caro amigo Drummond, confesso-te:

a máquina do mundo está gasta,

carcomida pela ferrugem amarga

da insensatez dos homens.

 

Caro amigo Drummond, confesso-te:

tenho as pupilas cansadas e o pensamento distante.

Penso em minha amada Rocha Cavalcante;

é triste lembrar o passado, amigo,

 

pois o futuro nos traz o cansaço e uma cama fria

para deitarmos à noite,

enquanto lá fora seguem os homens devorando-se.

 

Penélope SS

2-12-12   21h:01 

ESCRITO POR AdrianoRockSilva 1.08 M leituras
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