Dos dias que nada dar certo
O céu está desabando em chuva lá fora. A minha cabeça dói. Muito. Tipo assim Muiito. Acho que bebi demais ontem a noite. As contas estão jogadas pelo quarto e cada vez chegam mais, estão agora se amontoando em baixo da porta. Contrario a vontade de ficar na cama e me levanto. O rádio relógio me diz que estou atrasada, de novo, para o trabalho. Corri para o ponto de ônibus. Quando faltavam menos de trinta metros o ônibus passou. Corri. Juro que eu corri. Mas o perdi. E eu pensei: O dia vai ser um inferno. Dito e feito.
O chefe me chama. Já é a quarta vez que chego atrasada na redação esse mês. Ouço tudo o que ele tem a falar, mas não presto atenção em nada, balanço a cabeça afirmando que entendi tudo e digo que aquela situação não irá se repetir. Quando finalmente sento em frente ao computador e vou tomar meu café duplo percebo que ele esfriou. Olho para a janela, respirando e contando a dez. Me disseram que ajudava a diminuir a raiva. Só pra constar... Não estava ajudando muito. Lá fora tudo está cinza. A foto dele que costumava ficar ao lado do computador não está mais lá. Me desespero.
Empurro a porta. Finalmente chego em casa. Completamente molhada. Lembro de quando ele trazia uma toalha e um chá de hortelã quentinho. Tento esquece-lo. Impossível. E me vejo perguntando:
- Por que mesmo levantei da cama?!
___Ruana Lins
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