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Palavras

 

 

         I

Esvoaçante matriz

Que há muito não produz,

Ontem quando eu te quis

Estavas longe da luz.

 

Delirantes abrigos

Que há muito não guarda,

Ontem eu quis os amigos,

Irônica disseste: Aguarda!

 

Agonizante verdade

Que há muito não aparece,

Hoje quando te invade

De repente me enlouquece.

 

Insistente mentira

Que há muito nos persegue,

Enquanto esse globo gira

Fingimento é o que segue.

 

       II

Adjetivos sinônimos

Que já se esgotaram

Para te qualificar...

Os meus versos calaram!

 

Léxico indigente

Que já se evaporou

Para vir enunciar...

Aquele poço secou!

 

Palavra sem sentido

Que já foi dispensada

Do meu texto vulgar...

Interpretação tão quadrada!

 

Linguagem indiferente

Que já foi condenada

Pelo teu observar...

Interpretação tão quadrada!

     

 

  III

A matriz foi quebrada,

Nada mais produz,

Chegaste injuriada

E apagaste a tal luz.

 

Os abrigos foram quebrados,

Nada mais se guarda.

E os amigos renegados

Em outras noites pardas.

 

A verdade foi esquecida,

Nada mais incomoda.

As rimas distorcidas,

Loucos estamos na roda.

 

A mentira permanece

E o globo ainda gira.

O fingimento não me esquece

E a esperança se retira.

 

       IV

Reabastecendo-se de adjetivos

“Sinonimizam” outras palavras.

Nos meus olhos perseguidos

Agonizo quando entravas.

 

Enunciam sentimentos

Na evaporação de nossas vidas.

No fundo poço pensamentos

Numa língua esquecida.

 

A palavra esquecida,

Que outrora dispensada,

Faz falta a atrevida

Na minha estância mal rimada.

 

A linguagem indiferente,

Que outrora condenada,

Faz falta a indigente

Na interpretação tão quadrada!

                  

                        (Majal-San)

                    

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