Tema Acessibilidade

ANALFABETO É CEGO

Amigo, eu sou um caboclo,
Eu nunca fui estudado,
Não sei assinar meu nome
Minha escola é roçado,
Mas sei que o analfabeto
É um cego desastrado.

Um dia eu fui à cidade
Para um pouco passear,
Dentro da rodoviária
Cheguei a amarelar,
Me deu uma dor no bucho
Com vontade de cagar.

Minha barriga enrolava
Numa enorme agonia,
Amigo, digo a você,
Eu sofri naquele dia,
Estava já me cagando
Quando encontrei um vigia.

Aí perguntei a ele
Onde tinha um banheiro,
Ele amostrou-me onde,
Eu saí todo cabreiro,
Lá dentro vi duas portas
Cada uma cum letreiro.

Sem saber ler os letreiros
Uma porta eu empurrei,
A porta bateu no canto
Na hora me assustei
Uma marmota do Cão
Naquela hora avistei.

Na bacia do banheiro
Tinha uma velha assentada,
A velha estava vermelha
Se espremendo aperreada,
Amigo, naquela hora,
Senti a calça cagada.

Amigo, caguei nas calças
Que ficou um bolo atrás,
Aí, a velha gritou:
"Feche essa porta rapaz!
Nesse Brasil não podemos
Nem mesmo cagar em paz!"

A velha ainda me disse:
"Homem vá pro outro lado!
Seu banheiro é à esquerda
Que matuto atrapalhado,
Repare o nome que está
Aí, na porta gravado!"

Fiz meu serviço nas calças
Por que não sabia ler,
Quase morri de vergonha
Aquilo eu quero esquecer,
Daqui pra frente, as letras
Estou querendo aprender.

Caboclo eu tô querendo
Aprender a soletrar,
Sabendo ler os letreiros
Vergonha não vou passar,
E no banheiro das donas,
Nunca mais eu vou entrar.

Sítio Ilha Grande, Santana do Mundaú-AL
23 de julho de 2009
ESCRITO POR Cícero Manoel 24 K leituras
12 textos
Direitos Autorais

© 2017. Todos os direitos reservados ao autor. É proibido copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas ou utilizar comercialmente esta obra sem autorização expressa do autor.

1 K leituras
Classificação de conteúdo:
Indefinido

Publicado
Atualizado
Denunciar conteúdo
Este conteúdo foi publicado por um autor da plataforma e é de sua responsabilidade. Ele deve respeitar a Política de Conteúdo do Portal Escritores. Caso identifique alguma violação, utilize o Fale Conosco.

Comentários


Mais textos deste autor

Poesias

A PRIMA JOANA

Nos confins do meu sertão Num lugar muito bacana, Morava uma tia minha Chamada Sebastiana, Ela tinha uma filha Que se... [Continue lendo.]
Publicado
Poesias

MANHÃ CHUVOSA

Hoje aqui no meu sertão Eu acordei encantado, Ouvindo a chuva gostosa Cantando no meu telhado, Escutando os passarinhos... [Continue lendo.]
Publicado