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POETA DO INTERIOR

Cresci com satisfação
Andando dentro do mato,
Sou um sujeito pacato
Matuto de pé no chão,
Não troco o meu sertão
Cheio de felicidade,
Por uma grande cidade
Com seu desenvolvimento,
Onde impera o sofrimento,
E a marginalidade.

Na roça eu me criei
Com prazer e alegria,
Nela com a poesia
Desde cedo me casei.
Na roça sempre versei
Agarrado a uma enxada,
Com a mão toda calejada
Cultivando o duro chão
Cantando o meu sertão
Em poesia rimada.

Lá aprendi a narrar
Os causos do interior,
A descrever o amor,
A tristeza e o penar.
Lá aprendi a usar
A simples literatura,
Pra levar minha escritura
Pra uma sociedade
Cheia de bestialidade
Que não sabe o que é cultura.

Sou um poeta do mato
Das bandas do interior
Um poeta cantador
Que faz da vida um relato.
Perdoe o meu verso chato
Medido na cantoria,
Pois nunca me atreveria
Escrever verso sem rima,
Como alguns lá de cima
Fazem com a poesia.

Na roça onde fui criado
O meu verso sai ligeiro,
Lá me inspiro no vaqueiro
E no homem do roçado.
No repente improvisado,
Nas histórias de trancoso,
No mundo maravilhoso
Das festas do interior,
Nas rezas do rezador,
Nas prosas do preguiçoso.

Gosto de me expressar
Na arte da poesia
Arte que me contagia
Arte que me faz voar
E que me faz viajar
Seguindo uma linha reta
Em uma nave secreta
Que nunca volte talvez...
Se eu nascesse outra vez,
Nascia pra ser poeta.

(Santana do Mundaú – AL / 27 de janeiro de 2016)
ESCRITO POR Cícero Manoel 24 K leituras
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