Nas Sombras do Esforço
Plantei com zelo, reguei com suor,
Ofereci mais do que me foi pedido.
Fui ponte, fui chão, fui escudo e farol,
E, no fim, fui só mais um esquecido.
Sorrisos ao sol, promessas no ar,
Mas a névoa da falsa estima é densa.
A mão que ergue também pode empurrar,
Quando a memória do bem se dispensa.
Vesti a camisa, defendi o bastião,
Mesmo quando o barco fazia água.
Mas, por trás da cortina da reunião,
Só pesavam o erro, não a jornada.
Ah, a ingratidão: veste terno e gravata,
Finge respeito, mas é vazia de alma.
Cobra o sangue que escorre na lata
E depois, indiferente, te cala.
No fim, aprendi: quem brilha demais
Cega os que vivem de sombra e trama.
E o valor, às vezes, só se faz
Quando tua ausência queima e inflama.
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