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ao banho, D. Ilda!

Feriado de segunda-feira.

Ilda, carioca da Tijuca, acordou muito desanimada e sem nenhuma vontade de se levantar, olhou para a janela e viu uma lagarta que subia lentamente o vidro pelo lado de fora e ficou absorta observando o bicho se locomover. Num movimento franco ela pegou o celular sobre a mesa-de-cabeceira da cama, apertou o botão para ligar o aparelho e constatou que eram 9 hs da manhã. Um passarinho pousou no batente da janela e bicou a lagarta sobre o vidro canelado. O barulhinho seco daquela bicada despertou-lhe a atenção e a curiosidade; olhou de volta na direção donde emanou o som e conseguiu ver o inseto preso no bico do pardal antes dele alçar voo.

Nessa hora, a lassidão tomou conta do seu corpo. Deitada de costas fitou a lâmpada apagada no teto do quarto e deixou seus pensamentos vagarem soltos. Primeiro, lembrou-se de que completaria 40 anos dali a uma semana; depois, inopinadamente, refez mentalmente todo o caminho desde quando, aos 15 anos, conheceu o gaúcho Umberto, seu primeiro namorado. Estudavam à noite no Colégio Estadual Prado Júnior, iniciaram juntos o primeiro ano do ensino médio e assistiam às aulas, em salas separadas, no mesmo corredor, no segundo andar do prédio. Com ele perdeu a virgindade e engravidou de Rafael, seu único rebento. Ainda antes de saber-se prenha Ilda teve uma discussão séria com o namorado por conta de ciúmes, e o resultado disso foi que desfizeram o relacionamento.

Por determinação do Exército, o pai de Umberto, que era oficial militar, foi novamente transferido de unidade; dessa vez, para o 2° Regimento de Cavalaria Mecanizada em São Borja, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul com a Argentina. A família gaúcha estava de volta ao seu Estado de origem, embora distante da sua cidade natal, na costa leste. Por conta dessa mudança os ex-namorados perderam contato de vez. O ano era 1990; a Internet surgiu em 1996, e o Facebook, só em 2004. Umberto, distante e sem nenhum conhecimento da sua paternidade, terminou o ensino médio no Sul, alistou-se na Marinha Mercante e ganhou o mundo. Ilda, grávida, recebeu o apoio necessário da família, assumiu toda a responsabilidade pelo seu bebê e continuou na escola sem perder o ano letivo. Antes de finalizar o ensino médio, apaixonou-se por Juliano, um primo de segundo grau, e foram morar juntos. Apesar de todos os percalços, ambos decidiram cuidar do Rafael, e, de comum acordo, juntos se ocupariam da sua educação; eles dois, porém, não tiveram filhos. Terminado o ensino médio e com a colaboração dos pais, Ilda entrou para a faculdade de Psicologia e se formou quatro anos depois.

Passado dez anos afastado, o então sargento Umberto, ainda solteiro, decidiu tirar férias no Rio de Janeiro. Através de um amigo na cidade ele tomou conhecimento da existência do seu menino. A novidade encheu seu coração de alegria. Decidiu reencontrar a antiga namorada o quanto antes, não havia tempo a perder, e correu para o local que mantinha de memória, o mesmo onde se despediam todas as noites após saírem do colégio, e já bem próximo da casa dela. Apesar de estar morando noutro endereço, com o marido e a criança, não foi difícil revê-la. Depois de longa conversa com seus pais, que habitavam o mesmo imóvel e facilitaram o contato entre eles, os dois combinaram por telefone de se reencontrar num restaurante próximo, para ele conhecer o garoto. Felizes com a novidade, logo houve imediata correspondência de sentimentos entre pai e filho. A partir desse instante, Umberto assumiu todas as despesas de saúde e educação do ainda pequeno Rafael. Hoje os dois mantêm contato estável, mas pouco se vêem. O garoto cresceu e, recém-formado em Analista de Tecnologia da Informação, matriculou-se numa universidade americana para fazer pos-graduação.

Juliano era auditor fiscal no Rio de Janeiro já de algum tempo, quando conseguiu vaga num curso para Auditor-fiscal da Receita Federal, onde pretendia ingressar através de concurso público. Infelizmente não concretizou seu sonho, antes sofreu afogamento enquanto nadava na praia de Ipanema, próximo à Pedra do Arpoador. Ilda ficou viúva aos 35 anos e desde que o filho viajou para os Estados Unidos, mora sozinha numa casa em Santa Teresa, um bairro bucólico no centro da cidade.

Ainda deitada após ter feito este retrospecto da sua vida, ela fechou os olhos e começou a apalpar os seios; o autoexame não revelou nódulo algum na região; tateou o sovaco de um lado e, como previsto, não encontrou íngua ou coisa semelhante; repetiu o procedimento na axila oposta e constatou que também esta estava livre de gânglios. Morria de medo que lhe aparecesse um câncer. "Que bom!" pensou satisfeita. Estendeu o braço direito e alisou longamente com a mão esquerda escrutinando a pele sedosa, fez o mesmo com o braço esquerdo, tudo perfeito; sentia-se bem. Despiu-se da calcinha, passou as mãos sobre os pelos pubianos aparados dias antes e percebeu uma maciez aprazível, sem a aspereza natural deixada pelo corte dos fios de cabelos. Alisou então a vulva, por vezes beliscando a pele num ponto e outro; depois, com as duas mãos, uma de cada lado, comprimiu os grandes lábios apertando somente com os dedos. Não havia desejo sexual nos seus gestos até o momento em que ela forçou o dedo médio da mão direita para dentro da genitália fazendo ele penetrar fundo na vagina e pressionar o clitóris ao mesmo tempo. Pronto! A sensação que experimentou foi um estímulo ao prazer, pois logo percebeu que os músculos do corpo se contraíram suavemente. Passou a mão esquerda sobre o peito direito e encontrou o mamilo rijo, levemente sensível ao toque. Não resistiu e esfregou a palma da mão sobre a mama, friccionando o bico entre os dedos. Enquanto isso, com a outra mão ainda atochada na vulva, acariciou delicadamente os lábios menores por algum tempo, em seguida enterrou o dedo médio no canal da vagina novamente. Há tanto tempo sem uma relação para lhe saciar o desejo do orgasmo, Ilda se livrou de todos os pensamentos aleatórios e procurou se concentrar no contentamento pessoal e no que fazer para que o deleite fosse pleno. Debruçou o corpo sobre um travesseiro posicionado diante da região pubiana e manteve o dedo cravado fundo no canal do útero. O pequeno clitóris a esta altura ficou erétil, e a glande extravasou do prepúcio. Com os outros dedos da mão começou a massagear a vulva. Tornou a se deitar de costas e, controlando a respiração, inspirava lenta e mais profundamente; na sua imaginação, só cabia um ideal, construir uma tensão que fosse a mais prazerosa possível. Prendeu o clitóris entre os dedos indicador e médio e começou a puxar, impondo pressão para alongar o órgão, em seguida retrair, e repetiu os movimentos como se estivesse masturbando um pênis. Fez isso até que o desejo pediu a penetração, foi quando enterrou dois dedos na vagina já inteiramente umedecida e friccionou com afã. Não demorou a ficar completamente excitada e a perder o controle da respiração. As contrações musculares tomaram conta de todo o corpo e desencadearam uma onda de satisfação tal qual uma explosão. Nesse instante de máximo regozijo teve vontade de gritar, girou o corpo de lado e enterrou a cara em um travesseiro para sufocar-lhe a boca, e soube se controlar. Passada a fúria do vulcão curtiu sozinha a sensação de relaxamento e o deleite que acabou de vivenciar. Foram breves minutos de regalo pleno, de gozo e contentamento, mas acabou.

Agora já não havia mais motivos para continuar deitada, levantou-se, abriu a janela do quarto e contraiu as cortinas para garantir a privacidade. Olhou-se na penteadeira, reprovou com repugnância a sua imagem refletida no espelho e disse para si mesma: - "Não tem outro jeito, ao banho, D. Ilda".

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