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NCC - Não Conte Comigo.

Quando obedecemos a obrigação de votar, dirigimo-nos ao local de votação e digitamos na urna o número do candidato de nossa escolha; duas possibilidades acompanham este nosso ato de obediência.

- Uma é o voto vencedor: quando o nosso concorrente preferido foi também o mais votado e, juntos, vencemos a eleição.

- A outra é o voto vencido: quando escolhemos aquele pretendente que foi rejeitado pela maioria e, juntos, saímos derrotados.

Independente do resultado, quando cumprimos esta exigência demonstramos, com nossa obediência, que estamos de acordo e satisfeitos com tudo o que fazem os políticos e entregamos carta branca aos novos eleitos, sejam eles os nossos preferidos ou não, para que dêem continuidade ao processo democrático; caso contrário, não teríamos arriscado o voto vencido.

Em particular, eu não estou satisfeito com o que vejo da parte deles. Pra começar, entendo que o Funcionalismo Público não é local de trabalho para enriquecimento pessoal. Para quem quer ficar rico, a iniciativa privada oferece inúmeras possibilidades e é o lugar certo para quem quer ficar milionário. Por isso, sou contra o gasto público imoral para pagar salários exorbitantes para qualquer categoria; discordo de toda ordem de ajuda de custo para quem quer que seja e, principalmente, para gabinete parlamentar, que é uma afronta descarada e local ideal para execução de rachadinhas; considero o orçamento secreto ou emenda parlamentar - canal criado pelo deputado corrupto Eduardo Cunha, condenado por corrupção pela justiça -, a vala por onde mais escorre o nosso dinheiro; renego toda doação de gratificação no Judiciário que, entre os poderes, é o campeão em desvio de dinheiro público em benefício próprio e justamente onde a maioria dos funcionários extrapola o teto constitucional de salários. Ainda que cientes dessa farra no Judiciário, o Poder Legislativo encobre a falcatrua em vez de legislar, e o Poder Executivo se cala. Considero a corrupção um crime execrável; a rachadinha, um delito deliberado e, além disso, criminoso; não aceito o voto obrigatório por violar a nossa vontade...

Dito isso, e para não ser conivente com essa zombaria de crimes hediondos debochadamente institucionalizado por quem deveria cuidar e impedir a ladroagem, só posso admitir uma opção diante do sufrágio do qual sou obrigado a participar sem conhecer pessoalmente os candidatos, anular meu voto para ajudar a desmoralizar este processo carcomido, viciado, desprezível... única possibilidade de fazer valer a minha vontade.

Não dá mais para aturar tamanho roubo, tanta indignidade, essa miserável vilania que se apodera do nosso dinheiro de forma tão indecorosa e obscena.

Chega desta desprezível cachorrada. Chega!

ESCRITO POR Dilucas 1.65 M leituras
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