A neném da garotinha.
Cheguei do mercado e entrei com o carro até o fundo da garagem. Depois voltei para fechar o portão de duas folhas. Quando me aproximei, vi uma garotinha subindo a rua; a sua avó, lado a lado com uma amiga, conversando despreocupada, vinha atrás, caminhando devagar. A menina, talvez com seus 4 ou 5 aninhos, carregava uma boneca no colo, visivelmente com muito carinho: tinha um braço sob as pernas da boneca para suster-lhe o corpo; a cabeça do brinquedo ia aninhada no ombro da criança, colada ao seu pescoço, e, com a mão do outro braço, a garota confortava as costas da boneca. Uma cena muito afetuosa, por isso não me contive e perguntei à garotinha:
- Esta neném no seu colo é sua?
- É, sim. Respondeu ela, olhando-me sem diminuir o passo.
- Alguma vez você já a pegou chorando?
- Já.
- Muitas vezes?
- Sim.
- E o que você faz para ela parar de chorar?
- Eu dou de mamar.
Fiquei sem palavras, até por causa do modo sério com que ela me respondeu, fitando-me os olhos, como se aquilo fosse óbvio, e seguiu adiante, compenetrada. Aí eu perguntei à avó, que nesse instante passava por mim junto da amiga que lhe fazia companhia:
- A senhora ouviu isso?
E rimos os três, pois não havia o que dizer.
- × -
Crianças!
Esta foi a minha exclamação, enquanto, sozinho, terminava de fechar o portão.
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