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Sábado de manhã.

A manhã de sábado prenunciava um dia ensolarado na cidade do Rio de Janeiro. As calçadas na orla de Copacabana já estavam apinhadas de atletas de fins de semana e de banhistas que gostam de chegar cedo à areia. Nicole descia os degraus na entrada do hotel em frente à praia justamente quando o elevador principal parou no térreo. Logo que a porta do ascensor se abriu pra rua, Bruno saiu apressado com o olhar atento de quem procura algo ou alguém; assim que avistou a mulher de costas na calçada, reconheceu que era Nicole se afastando. Num instante ele rompeu a distancia que os separava e alcançou a moça no exato momento em que ela abria a porta traseira do táxi. Ela ouviu o som dos seus sapatos; intuitivamente não teve dúvidas de que era ele se aproximando num caminhar ligeiro, mas deixou para só olhar para trás, quando Bruno já avançava a sua última passada. Frente a frente um do outro, fitaram-se. Ele a afastou do veículo com natural delicadeza, encostou a porta do carro e, sereno, disse, mirando em seus olhos:


- Nicole, você tem mesmo que ir agora? A gente quase não teve tempo de conversar.


- Bruno, eu não posso me dar ao luxo de perder meu emprego. Tenho um voo para Brasília programado para daqui a duas horas. Deixe-me ir. Eu não ficarei para dormir na cidade, assim que eu conseguir me desvencilhar das tarefas obrigatórias, pego a primeira aeronave de volta. Vida de aeromoça é assim! E entre 5 e 6 horas da noite, eu calculo, ligo para ti avisar que já cheguei. Se eu não estiver cansada, a gente combina um jantar, tá bom assim?


Nem bem terminaram esse curto diálogo e foram envolvidos por uma horda de pivetes que se aproximou correndo em meio aos pedestres na calçada. Simultaneamente uma patamo da polícia surgiu no cruzamento. Conhecidos pelo modo de agir, os policiais logo perceberam que os gatunos estavam mal intencionados e ligaram a sirene do carro. O mais ladino do bando, provavelmente o líder, tentando arrancar a mala que Nicole segurava com toda a força, assustou-se com o alarma estridente, puxou da arma na cintura e atirou. O policial na janela traseira do veículo seguia com a mão para fora da viatura empunhando uma pistola. Ao ouvir o disparo do meliante, inadvertidamente ele atirou na direção do grupo. Bruno, que estava cercado por dois garotos vigorosos determinados em lhe arrebatar a carteira do bolso da calça, virava o corpo aos supetões para impedir o roubo, recebeu nas costas o tiro disparado pelo policial e caiu de frente sobre a calçada de pedras portuguesas. O tiro do pivete acertou Nicole no peito, ela caiu de joelhos e tombou para o lado. Os ladrões fugiram correndo pela contra-mão dos carros levando a sua mala e mais a carteira de dinheiro do Bruno. A patamo estacionou diante dos corpos caídos e os policiais desceram para prestar socorro às vítimas. O motorista do táxi ficou de testemunha.

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