Insípido sabor sachê
Eu tenho tido uma fome medonha
por plástico.
Minhas papilas gustativas se rendem ao seu sabor fóssil,
Meu cérebro já foi dominado pela sua química, pois
Adoro mastigar o bocal e a tampa da caneta;
pareço um cachorro faminto que farejou, numa sacola
de lixo, um osso, quando rasgo, com os dentes,
as embalagens dos CDs, DVDs, livros e revistas;
torço, na padaria, no supermercado,
para que os funcionários dêem nós bem górdios
nas sacolas,
para que, em casa, eu tenha aquele sofrimento bom
de abri-las com a boca;
nunca aceito,
numa lanchonete, pizzaria, restaurante ou afins,
a bebida e um copo
– minha tara é o canudo: tem gosto de fibra –,
e o desembrulho do confeitinho, então? Quanta delícia!
E o plasticozinho interno das tampas de cerveja e de refrigerante?
O primeiro tem gosto de veludo;
o segundo, de caramelo.
Mas,
O que nunca saciei mesmo foi a vontade daquela nota de dez reais...
Dizem que dinheiro contem micróbios.
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