Resenha do E-book “Descomplicando a Literatura Brasileira”
Em seu livro digital "Descomplicando a Literatura Brasileira" (2020), Michelly Santos, procura facilitar a leitura e o contato do público-leitor com a literatura no que diz respeito às informações gerais sobre as escolas literárias brasileiras, características, autores e o contexto histórico. O e-book foi dividido em treze tópicos que nos proporcionam uma noção contextual sobre o impacto da literatura em nossas vidas ao longo dos anos. Podemos perceber, através da leitura, que a literatura está conectada à história e que o seu transcorrer não é linear nem se acaba em determinado ponto temporal, porque a literatura é contínua e, assim como as ondas do mar, vem e vai, sempre volta. O conceito de movimentos literários, escolas literárias e afins vem relacionado aos vários momentos históricos e isso implica nas obras dos autores e nos estilos de época.
Conforme a autora, a literatura brasileira se divide entre duas Eras: a Colonial e a Nacional. A primeira tem início em 1.500, com a chegada dos portugueses e a sua produção escrita em diários e documentos, como por exemplo, a carta de Pero Vaz de Caminha, considerada o marco da nossa literatura. Dentro dessa Era, destacam-se três escolas literárias: Quinhentismo, Barroco e Arcadismo. Já a segunda surge em meio a um período de transição que começa com a chegada da Corte de Portugal, em 1808, passa pela Proclamação da Independência, em 1822, até se encerrar em 1836. A Era Nacional abrange: Romantismo, Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo, Pré-modernismo, Modernismo e Pós-modernismo.
O Quinhentismo (1500-1601), com base na leitura do livro, não é considerado como uma escola literária, mas sim um momento histórico em que houve uma produção de cartas e documentos. A chamada "Carta de achamento do Brasil" escrita pelo escrivão português Pero Vaz de Caminha para o Rei D. Manoel I contando sobre aquela terra, é considerada a certidão de nascimento de nosso país e, marca, ironicamente, o início da literatura brasileira. O Quinhentismo pode ser dividido em duas vertentes: a literatura de informação e a de catequese. O Barroco (1601-1768) acontece em um período marcado pelo conflito religioso entre a Igreja Protestante e a Católica, como também pelo pensamento filosófico acerca da nossa existência, onde o antropocentrismo cede lugar ao teocentrismo. Nesse contexto marcado pela dualidade, o homem se vê em um dilema, usufruir dos prazeres da carne ou buscar pelo perdão de seus pecados. Isso vai refletir nas artes e na literatura marcadas pelo contraste. O marco inicial dessa escola literária é o poema "Prosopopeia" escrito por Bento Teixeira em 1601. Entre os expoentes do Barroco, destacam-se, na poesia, Gregório de Matos; e, na prosa, Padre Antônio Vieira.
Já o Arcadismo (1768-1808), também chamado de Neoclassicismo, é o período de ruptura com os exageros do Barroco e retoma a sutileza do Classicismo. Seu marco inicial foi em 1768, quando Cláudio Manuel da Costa publicou "Obras Poéticas". Em um período de grandes mudanças sociais na Europa (Iluminismo, Revolução Francesa), nos EUA (Independência) e também no Brasil (Ciclo do Ouro, Minas Gerais como centro econômico, Inconfidência Mineira e a expulsão dos Jesuítas), ocorre o Arcadismo. Além da busca pela simplicidade, refletida na linguagem textual, também são importantes características: o bucolismo e o pastoralismo. Destaca-se também, nessa escola, a retomada de aspectos greco-romanos com empregos de conceitos em latim. Entre os autores, podemos citar Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga, dentre outros.
Partindo para a Era Nacional, o Romantismo (1836-1881) se destaca por acompanhar as mudanças sociais e históricas. Com o advento da independência política no Brasil, surge também a necessidade de uma independência cultural. Era preciso criarmos a nossa própria identidade e parar de reproduzir o pensamento europeu. Nesse sentido, o nacionalismo aparece como característica marcante. Além de buscar exaltar as belezas naturais do Brasil, a produção desse período também é marcada pela "valorização do eu", pelo idealismo e pela subjetividade, bem como pela religiosidade. Na prosa, o Romantismo se divide em: romance urbano; romance regionalista; romance histórico; romance indianista. Na poesia, pode ser dividido em três gerações: geração nacionalista/indianista; geração ultrarromântica; geração social/condoreira.
O Realismo (1881-1893) teve o seu marco em 1881 com a publicação de "Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, o grande nome dessa época marcada por eventos históricos importantes como.a Abolição da Escravatura (1888) e a Proclamação da República (1889). Nesse período também ocorreu a segunda Revolução Industrial. Rompendo com a idealização do período romântico, a produção literária do Realismo tem como marca principal a verossimilhança, isto é, a busca por traçar um retrato fidedigno da sociedade e dos personagens, bem como do seu comportamento e modo de pensar. Segundo a autora, a escola realista buscava transformar a literatura em instrumento de análise social, e não apenas mera diversão. O Naturalismo (1881-1893), inserido no mesmo contexto histórico que o Realismo, compartilha de algumas características semelhantes como a verossimilhança, a análise psicológica, a objetividade e o descritivismo. No entanto, como a autora salienta, as produções literárias desse movimento também possuem características próprias, como a presença de personagens-tipo e de um romance tese. Correntes científicas e filosóficas como o determinismo e o positivismo são refletidas na literatura. O marco do Naturalismo foi a publicação de "O Mulato" de Aluísio Azevedo, em 1881.
Seguindo nessa linha temporal dos tópicos demarcados por períodos históricos, Michelly descomplica a literatura e desperta no leitor a curiosidade e o desejo de querer saber mais, de se aprofundar nos momentos históricos-literários. Com uma linguagem acessível e muita clareza, a autora traça um panorama das escolas literárias a começar pelo Quinhentismo até o Pós-Modernismo. A leitura desse e-book é recomendada para aqueles estudantes que dizem não gostar de literatura e para aqueles que amam.
Link do livro:https://michellysantosliteratura.com/wp-content/uploads/2020/08/descomplicando-a-literatura-brasileira.pdf
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