Dois poeminhas
Se é apenas tristeza
Eu não sei
Se é tristeza mais ódio
Também não sei
Nesse vórtice de desilusões
Eu me perco
Sem nem saber
O que na verdade sinto
Quando o amargor é soberano
Dissipam-se na alma
Os fragmentos da revolta
E o que sobressai é a inutilidade
Do grito incontido
Na débil garganta.
INDAGAÇÕES
Não foste tu que
me deixaste assim
sem alma nem coração
perdido sem horionte
sozinho na imensidão
do universo que era teu?
Não foste tu que
inventaste o desejo
de sempre desejar
o que nunca se vê
nem se pode encontrar
no sonho teu, que era meu?
Não foste tu que
infundiste em mim
a insensatez dos apaixonados
o abandono sem remissão
dos desesperados
neste vórtice meu e teu?
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