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O Tempo Não Espera Você Ter Coragem

Olhe para as suas mãos. Olhe para o espelho. O tempo não está apenas passando; ele está correndo para o fim. A pergunta que você precisa se fazer agora, de frente para si mesma e sem desculpas, é: a vida que você está vivendo é realmente sua ou é um papel decorado para agradar uma plateia que nem se importa tanto assim?

É assustador perceber como a gente se torna covarde com o passar dos anos. Ontem tínhamos sonhos puros, uma risada que vinha do peito e certezas que eram só nossas. Hoje, olhamos em volta e vemos um rascunho. Passamos dias, meses e anos preciosos editando nossa própria voz. Engolimos o choro para não parecer fracos. Engolimos a raiva para não parecer chatos. Deixamos de vestir o que queríamos, de amar quem queríamos e de viver como queríamos porque ficamos presos em uma prisão invisível: o medo do que os outros vão falar.

Que loucura terrível é essa de gastar a única existência que você tem tentando não decepcionar terceiros? Pare e pense: quem são essas pessoas que você tenta impressionar? Elas não vão pagar as suas contas, não sentem a sua dor na madrugada e, com toda a certeza do mundo, não vão morrer no seu lugar. O julgamento alheio é um buraco negro. Se você viver para receber o aplauso dos outros, vai morrer na solidão de nunca ter conhecido a si mesma.

Se eu me importasse com a opinião alheia, com os olhares tortos ou com o julgamento de quem assiste de camarote, eu jamais teria dado o primeiro passo. Foi quando decidi fazer o curso de escritores que tudo mudou. Ali, encarando a página em branco, precisei me despir das expectativas do mundo. O meu trabalho de TCC não foi apenas a conclusão de uma etapa; foi o divisor de águas que me deu a coragem definitiva para seguir adiante na escrita e mergulhar de cabeça na literatura. Se eu tivesse parado no medo do que iriam pensar da minha voz, eu não teria escrito o meu primeiro ensaio.

Não teria conquistado o primeiro lugar na plataforma Família Literária, não teria alcançado reconhecimentos importantes que validam a minha jornada e jamais teria tido a audácia de colocar o meu nome em inscrições de concursos altamente concorridos. Se eu tivesse ouvido o medo do ridículo ou da rejeição, não teria sido selecionada para Antologias e não faria parte da AJEB, uma instituição de tamanho respeito. Eu não teria publicado livros, não teria tocado o coração de leitores desconhecidos e não teria deixado a minha marca no mundo através das palavras.

E preste bem atenção: absolutamente tudo o que eu conquistei até hoje foi mérito meu. Ninguém me deu nada de presente, ninguém pavimentou o caminho para mim e ninguém segurou a minha mão nas noites em claro diante da tela em branco. Cada prêmio, cada vaga conquistada, cada espaço ocupado e cada reconhecimento que recebi aconteceram porque eu batalhei por eles. Foi com o meu suor, com o meu talento e com a minha teimosia. Cada vitória nasceu no exato momento em que decidi dar as costas para o tribunal dos outros, confiar na minha própria capacidade, honrar o caminho que começou lá no meu TCC e caminhar com as minhas próprias pernas.

Deixe que pensem. Deixe que falem. Que pensem que você enlouqueceu, que mudou, que ficou egoísta. O que os outros pensam a seu respeito diz respeito apenas às frustrações e limitações deles, não à sua realidade. Tire o peso desse tribunal da sua cabeça. Você não deve nenhuma explicação sobre a sua felicidade.

O bonito, o belo e o que realmente dá sentido a essa caminhada é a forma que a gente gosta de viver. O belo está na paz de deitar a cabeça no travesseiro e saber que a nossa vida tem a nossa cara, as nossas regras e as nossas verdadeiras escolhas. Bonito é ser livre para gostar do que gosta, para rir alto, para mudar de rumo quando bem entender, sem precisar de carimbo de aprovação de ninguém. A vida de verdade acontece quando a gente para de pedir licença para existir.

Entenda de uma vez por todas: o tempo é um cobrador implacável e ele não aceita reembolsos. Não dá para voltar atrás e recuperar o ano que você passou fingindo ser calmo só para ser aceito, o emprego que aguentou por status ou o relacionamento morno que manteve para salvar as aparências.

Acorde. A cortina está descendo um pouco mais a cada segundo. Quando o silêncio final chegar, e ele vai chegar para todos nós, o mundo vai continuar girando, as pessoas que você tanto tentou agradar vão continuar tomando o café delas, e você terá apenas o vazio. Não se dê a insignificância de ser um figurante na sua própria história. Quando a morte bater à sua porta, a única coisa que vai doer de verdade não serão os erros que você cometeu, mas a certeza humilhante de que você teve a chance de ser real, mas escolheu passar a vida inteira sendo apenas uma cópia barata do que os outros esperavam de você.

ESCRITO POR Luciana Kelm 8 textos
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