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Entre a Verdade e o Tempo

Hoje, sentado diante do silêncio da própria consciência, faço uma viagem ao passado. Não é uma viagem feita de malas ou estradas, mas de lembranças. Caminho lentamente por corredores invisíveis da memória e observo cada instante como se fosse único, eterno, suspenso no tempo.

Vejo-me vivendo novamente cada cena, como um homem sentado na plateia assistindo à peça da própria vida. Sou espectador e personagem ao mesmo tempo. E, em meio às cortinas da memória, aparece uma criança sorrindo, correndo livremente pela areia, acreditando que o mundo era simples e que as pessoas carregavam no coração a mesma verdade que ela carregava nos olhos.

Talvez tenha sido esse o meu maior engano.

Com o passar dos anos, fui descobrindo que nem todos vivem da mesma maneira aquilo que dizem sentir. Acreditei demais nas pessoas. Julguei que, apesar das diferenças, existisse ao menos alguma semelhança entre o pensar e o agir humano. Mas a vida, silenciosamente, foi me mostrando outro cenário.

Existe um mundo onde a mentira veste roupas bonitas. Nele, as aparências possuem mais valor que a essência. As palavras são moldadas conforme os interesses, e a verdade pode ser alterada para fascinar, convencer ou dominar. Nesse mundo, tudo parece permitido. Não há limites, não há culpa, não há freios. Apenas desejos sendo vividos sem medir consequências.

E o mais triste não é a existência da mentira. O mais triste é perceber quantos preferem acreditar nela.

Foi então que compreendi que convivemos diariamente entre dois mundos: o da mentira e o da verdade.

O mundo da verdade, entretanto, é mais duro. Nele, cada gesto carrega consequências. Cada escolha pesa. Existem regras invisíveis que moldam o caráter e impõem limites ao coração humano. Viver na verdade exige coragem, porque a verdade quase nunca protege; ela expõe.

Talvez por isso eu nunca tenha me encaixado completamente no convívio social. Muitas vezes senti que precisava vestir máscaras para existir entre as pessoas, quando, no fundo, desejava apenas permanecer fiel à simplicidade que aprendi na infância.

Minha essência nasceu à beira de uma praia, em um tempo em que o dinheiro tinha pouca importância e a felicidade morava nas coisas pequenas. O maior luxo era o vento no rosto, o cheiro do mar e a liberdade de contemplar as belezas naturais que Deus nos oferecia diariamente sem cobrar nada por isso.

Hoje percebo que a vida é transformação constante. Somos moldados pelas perdas, pelas decepções, pelos amores, pelos erros e pelos silêncios. Cada experiência nos faz mergulhar mais fundo nesse universo complexo e brilhante chamado mente humana.

E, em meio a tantas dúvidas, existe uma certeza que ainda ilumina meus pensamentos: a presença de Jesus. Não apenas como símbolo religioso, mas como representação máxima da verdade. Nele percebo a luz que resiste às sombras e o limite entre a honestidade e a mentira.

Por isso continuo acreditando que o tempo permanece sendo o maior juiz da existência humana. Pode-se enganar pessoas por algum tempo, esconder intenções, manipular fatos, construir ilusões… mas jamais se consegue fugir eternamente da verdade.

O tempo revela.

E talvez seja justamente essa esperança que ainda sustenta meu coração: acreditar que um dia poderei olhar para trás e dizer, com serenidade, que meus acertos foram maiores que meus erros.

Enquanto esse dia não chega, sigo caminhando.

Agradecendo a Deus - fonte de tudo - pela dádiva de existir, aprender, cair, levantar e continuar.

Amém.

ESCRITO POR Fernando Pacheco 1 K leituras
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Comentários

Ju Karine
Ju Karine

Parabéns pelo texto.


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