SER SÍNDICO
Só sei que nada eu sei,
E o que sei, não posso contar,
Se contar, muita gente
Há de logo se assustar,
Pois ser síndico é destino
Que ninguém quer encarar.
Entrei nessa confusão,
Achando que iam gostar,
Mas vi gente desgostosa
Querendo me apedrejar;
Ser síndico é profissão
Que dá gosto em reclamar.
Tem que ser cabra da peste,
Valente pra suportar,
Pois tem gente que se diz gente
E vive a lhe criticar;
Mesmo sem saber de nada,
Quer na frente se mostrar.
Fiz projeto, fiz reforma,
Tentei tudo agradar,
Mas o povo, no final,
Não queria aprovar;
O que importa pra esse povo
É só poder reclamar.
Por isso o tal sindicante
Tem que saber enfrentar,
Ser valente e ser temente,
Pra ninguém lhe derrubar;
Se fraquejar um pouquinho,
Vão querer lhe esbofetear.
Tem que ter cara de duro,
Pra ninguém lhe afrontar,
Pois tem muito valentão
Que só sabe tumultuar;
Mas quando encontra um cabra firme,
Sai ligeiro a respeitar.
Vi desrespeito demais,
Ninguém quis colaborar,
Falei das normas vigentes,
Ninguém quis escutar;
Só com fé e paciência
Pra o juízo não faltar.
Tinha gente orgulhosa,
Ego grande de inflar,
Maior que o mundo inteiro,
Difícil de suportar;
Via nos olhos o buraco
Do orgulho a lhe cavar.
E pensei: "Se Lampião
Aqui viesse morar,
Tornava esse povo temente
Na base do olhar!"
Talvez só com valentia
Aprendesse a respeitar.
Por isso digo, meu povo,
Pra quem quer administrar:
Ser síndico é ser guerreiro,
E o couro tem que aguentar;
Pois tem gente que, sem motivo,
Quer ver o cabra rodar!
Ser síndico é profissão
De amor e de lidar,
Entre gente boa e brava,
Aprendendo a dialogar;
Mas se for frouxo e covarde,
Vão lhe botar pra torar
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