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A espera também escreve em mim

Floresço como uma águia que voa. Como um leão que protege seus filhos e tira sangue. E é isso: floresço para sangrar minhas manias. Quando me percebo ansioso de um modo que já não me reconheço, compreendo que, justamente a partir daí, onze anos de análise não foram à toa. Há várias formas de se reinventar, e uma delas é saber parar. Saber seguir. Aprender a esperar.

Mas eu não aguardo. Eu espero sem nada. Se espero alguma coisa, é minha noite de adormecer sobre meus ventos.

Passei o dia com a máquina nos pensamentos. Então, peguei o teclado. E foi uma tecla na tecla, palavra sobre palavra, como quem tenta alcançar com os dedos aquilo que ainda não chegou às mãos.

Palavra? Não escrevo crônicas, nem poesia, poemas ou contos. Escrevo palavras que devoro. Mas também sou devorado pelo destino. Sou especialista em me arruinar; sobretudo, tenho doutorado em me levantar.

Viva as minhas lágrimas, que pequei em não chorar, mas das quais me redimi por tudo o que escrevi.

Ao editor, perdoe-me pelos erros no teclado. Mas já aviso: na máquina, errarei ainda mais, até aprender. Talvez seja justamente isso: a vida é errar, pecar, aprender, sobreviver, morrer, renascer, reencarnar e viver.

Até sábado, querido teclado provisório. Por ora, deixo minhas palavras repousarem sobre aquilo que ainda não aconteceu. Há uma máquina que me espera, ou talvez seja eu quem espera diante de uma ausência que aprendeu a ter forma. Não sei. Desconfio das certezas que chegam antes dos acontecimentos e dos desejos que se apresentam como destino. Amanhã, o tempo continuará sendo tempo, e eu, por mais que tente, não poderei arrancar dele aquilo que ainda não amadureceu. Resta-me escrever, como quem deixa uma fresta aberta no escuro, sem saber se é por ela que a luz entrará ou se é por ali que alguma coisa, até então desconhecida, finalmente partirá. Talvez eu nunca descubra o que procurava na máquina. Talvez certas procuras não existam para encontrar alguma coisa, mas para nos deslocar do lugar onde acreditávamos estar. E, quando a primeira tecla finalmente ceder aos meus dedos, quem sabe eu compreenda que não era apenas o papel que esperava a palavra. Havia em mim um silêncio antigo, desses que não pedem para ser rompidos, mas que, de algum modo, começam a escrever quando ninguém está olhando.

ESCRITO POR Jorge Lannes Júnior 9 K leituras
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