Entre Erros e Silêncios
A felicidade me visita em frações de segundo, mas a angústia não. Ela tende a permanecer, como se quisesse fazer morada. E quem me ajuda a atravessá-la é a solidão, que passa sem fazer promessas. Talvez seja justamente por isso que eu escreva: para aliviar a frustração, a culpa que tantas vezes imponho a mim mesmo, até daquilo que nem me pertence, porque muitas coisas eu já carrego. A dor de não encontrar uma palavra para escrever em meio a todo o silêncio do amor, como se até ele precisasse permanecer calado para continuar existindo. Já errei muito. Houve dias em que pensei ter aprendido a não errar mais, mas o erro apenas mudava de roupa. Ninguém regressa ao mesmo erro. Quando se retorna, já é outro, porque quem errou também já não é o mesmo. Às vezes é preciso que um outro nos empreste um olhar que perdemos sobre nós mesmos, não para impedir a próxima queda, mas para nos lembrar de que nenhuma consciência nos torna imunes à condição de sermos humanos. Se algum dia errei, ótimo. O erro também me escreveu. E talvez seja justamente por isso que continuo escrevendo: não para encontrar uma versão de mim que nunca falhe, mas para fazer as pazes com aquela que, inevitavelmente, ainda voltará a errar.
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