Onze anos depois, um bolinho de chuva.
Não me esqueço. E também não tem como esquecer que, em 29 de novembro de 2015, minha mãe sofreu um aneurisma, com o rompimento de duas artérias. Foram 45 dias internada, uma cirurgia no crânio e, depois, uma longa volta para casa.
Naquela época, os médicos diziam que ela talvez não voltasse a andar, falar ou movimentar o braço. Tudo aconteceu tão de repente. Eu, meu pai, meu irmão e toda a família chorávamos, pedindo apenas uma palavra dela, um abraço, qualquer movimento daquele braço.
E foi justamente o contrário.
O tempo foi passando. Minha mãe voltou a andar, voltou a falar, voltou a mexer o braço e voltou a fazer tantas coisas que, naquela época, pareciam tão distantes.
Hoje eu me emocionei ao vê-la fritando um bolinho de chuva. Porque há onze anos eu pedia apenas que ela soltasse uma palavra. Hoje ela solta tantas. Há onze anos eu queria apenas vê-la de pé. Hoje ela está ali, na cozinha, fazendo comida.
E talvez o que mais tenha me emocionado seja lembrar que ela nem andava e não mexia justamente a mão que hoje segura e prepara o bolinho de chuva.
Mais cedo, ela disse que queria fazer bolinho de chuva. Quando percebi, o bolinho já estava pronto.
E eu fiquei olhando para aquela cena. Não era apenas minha mãe fazendo bolinho de chuva. Era a vida acontecendo diante dos meus olhos.
Quem acompanhou todo esse processo sabe do que estou falando. Depois de tudo que ela viveu, depois de tudo que nós vivemos, vê-la assim, inteira, fazendo algo tão simples, não tem explicação.
Às vezes, algumas vitórias chegam em silêncio. E hoje, para mim, esse bolinho teve gosto de vida.
Minha mãe. Minha guerreira. Onze anos depois. ❤️
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