Café, amor, onde está?
Acordei na intenção de amar o café.
Saindo do quarto, deslizando para a cozinha, fazendo o clique, com muito amor, no fogão e colocando a água para ferver.
Fiquei olhando a água. Devagarzinho, ela começava a ferver, envolvida pelas chamas. Quanto mais fervia, mais borbulhava.
Será que o amor é assim?
Será que é assim que se faz o amor?
Talvez o amor também precise de fogo. Não aquele fogo que queima tudo de uma vez, mas aquele que permanece ali, sustentando o calor necessário para que alguma coisa aconteça.
A água não ferve imediatamente. Ela espera. Aquece aos poucos, quase em silêncio, até que chega um momento em que já não consegue permanecer como antes.
Talvez amar seja um pouco disso.
Uma espera.
Um calor que cresce.
Uma vontade que começa pequena e, quando percebemos, já está borbulhando dentro da gente.
Mas onde está o amor?
No café que preparo pela manhã? No cuidado de colocar a água para ferver? No primeiro gole que desperta o corpo? Ou naquele instante em que, ainda sonolento, percebo que existe alguma coisa em mim querendo encontrar alguém?
Talvez o amor esteja justamente nesses pequenos gestos que quase nunca percebemos.
No café passado com calma.
Na xícara escolhida.
No cheiro que invade a cozinha.
Na espera.
No desejo.
Porque talvez amar não seja apenas encontrar alguém.
Talvez seja também aprender a preparar o próprio coração para aquilo que ainda não chegou.
E enquanto a água ferve, eu continuo olhando.
As chamas continuam acesas.
O café continua esperando.
E eu também.
Talvez seja assim que o amor começa.
Devagarzinho.
Sem avisar.
Até borbulhar.
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