RELÓGIO EM CASA DE POETA
Inútil, no seu mister de marcar
A sinistra sombra que apavora
A vastidão do poeta, a hora
Já escrita no portal da noite a brilhar
Movendo a vida em seu contorno
Do poeta a vida sempre movediça
Medra sonho onde a flor não viça
Na parede da vida é mais um adorno
Se ao poeta o tempo inexiste
Qual sombra que a luz insiste
Em revelar todos os sinais
Se desfaz a noite em alegoria
Para revivê-la ao morrer do dia
Decora o lar do poeta. E nada mais!
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