Cartas para Lugares que Não Me Conhecem
Sempre enviei alguns escritos meus para jornais que nem eu mesmo conheço. Enviava e não havia resposta. Então reenviava. Depois mandava para outros jornais, para rádios, para perfis, para qualquer lugar que pudesse, de alguma forma, receber uma parte de mim. Nunca tive retorno. E, ainda assim, insistia.
Talvez eu quisesse ser notado por algo que nem eu mesmo sei o que é. Talvez não seja reconhecimento. Talvez seja apenas a esperança de que alguém, em algum lugar, devolva uma palavra capaz de me dizer algo sobre mim que ainda desconheço.
Digo para mim mesmo, e talvez para um outro que me lê: se eles são teimosos, eu também sou. Há uma insistência em mim que não aprende com o silêncio. Continuo enviando textos como quem lança garrafas ao mar, não porque acredita no resgate, mas porque não suporta guardar todas as mensagens na própria praia.
Escrevo para mim e não para o outro. Mas dizer isso não apaga uma suspeita que me atravessa. Talvez exista algo em mim que ainda espera uma resposta, não pela vaidade de ser visto, mas pela angústia de não saber exatamente o que procura.
E então escrevo, envio, reenviou e torno a enviar. Não para encontrar leitores, mas para perseguir uma pergunta sem nome. Porque às vezes a maior solidão não é não ser lido. É não saber o que, dentro de nós, continua colocando a carta no correio.
Classificação de conteúdo:
Publicado

Comentários