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Entre o Outro e Eu, Um Só

14 de novembro

Um manhã de sexta-feira. Ele sabia o que tinha que fazer para poder se recuperar. Achava a causa perdida, como em outros tempos também achou e não perdeu. Foi quase com a cabeça erguida, mas entrou naquela sala de cabeça mais abaixada. Só escutou. Cada tempo, um silêncio. Só um falava, passava para o outro. Até que escutou de um: "Levanta a cabeça, você é o nosso mascotinho, lá no Serenidade."

Penso eu: quem é o mascotinho? E o que é mascotinho?

E como passou esse dia, passou outro e, entre outros, foram passando. Ninguém acreditava, mas talvez ele acreditasse, sim. E de tanto acreditar, deu certo. Está dando certo. Bebeu o café, mas estava tão gostoso que quase comeu. Terminou leituras, escreveu um livro, percorreu o caminho, travessias, pulsões de amor e de ódio também. Angústia na alma, vazio no peito.

De pé eu me levanto, na cama me deito.

Não sei se estou falando do outro ou de mim mesmo, ou se o outro e eu somos uma pessoa só. Não sei se é ele, se somos nós dois ou se é um só.

E chegou finalmente esse um ano da liberdade. E um futuro mais próximo do que mais próximo, que seria mais próximo, que se aproximaria, chegará aos dois anos. Descobriu que a cura não é morrer entre as estradas, mas viver enquanto tiver curvas para virar e, enquanto tiver ele mesmo, jamais estará sozinho. Enquanto escrevo, me sinto acompanhado da escrita da minha própria solidão.

E toma mais um gole de café, acende um cigarro. Clique é o barulho do isqueiro. A fumaça vai para um lado, a fumaça vai para o outro. Uma maçã aparece junto com a banana. Uma maçã vermelha, a banana bem amarelada. Talvez as coisas simplesmente apareçam quando precisam aparecer.

Acorda ele no espelho, se vê bem esbranquiçado, tadinho. No momento atual, quando eu com muitas insônias, dificuldade para dormir. A barba está muito grande, o cabelo também, tem que cortar. Mas ele não quer. Ele fala: "Deixa assim mesmo."

Seu contrato foi disponibilizado.

Mas que contrato? Eu não fiz contrato com ninguém. Outra vez, contratei a mim mesmo para nunca desistir dos meus desejos, mesmo que alguns não aconteçam, mas que fique a marca registrada na escrita, nas palavras, nos versos e nas linhas, nas letras da Baixada e na cabeça que ainda está meio embolada.

Mas de quinto escrevendo.

E, do nada, me aparece um espelho na minha frente e eu olho para o meu rosto. Fixamente olho para ver se consigo captar alguma coisa. E a única coisa, sinceramente, que eu posso dizer do meu profundo ser tentando captar algo, é que eu sou eu e mais do que eu, só eu, e depois de eu vem a mim, ao vosso reino e a Deus acima.

Não desisto de eu e nem da minha linguagem, que é o meu esforço da minha escrita, e não nego. Há algo ruim que às vezes sinto e ele também, mas não pode ser retirado.

Porque senão pode ser morto.

Porque eu nunca sabe.

O sintoma carrega seu corpo inteiro.

ESCRITO POR Jorge Lannes Junior 8 K leituras
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