E se o Amor Fosse?
E se o amor fosse uma passagem só de ida, dessas que o financeiro compromete e depois ninguém sabe explicar?
E se fosse um remédio que o corpo aprende a desejar antes que a consciência perceba? Um espírito que sobe, desce, atravessa o corpo e vai embora levando alguma coisa que nem sabíamos possuir?
Talvez o amor seja como o cigarro: termina entre os dedos, mas a vontade continua na boca.
E talvez seja isso que aconteça quando dois caos se encontram. Não é que um cure o outro. É que, por um instante, a falta reconhece a falta. O desejo reconhece o desejo. E alguma coisa, que não tem nome, começa a respirar entre os dois.
Há um corpo que ninguém vê. É nesse que o amor toca.
E se a solidão também fosse uma forma secreta de preparar o encontro?
Dois desconhecidos podem se encontrar como se já tivessem se perdido antes.
E se o amor, meu bem, viesse dos mortos?
Não para nos buscar. Talvez para nos devolver alguma coisa.
Porque há mortos que continuam vivendo dentro de nós, e há vivos que só descobrem que estão vivos quando alguém os atravessa.
Talvez amar seja isso: receber de um morto aquilo que ainda nos faz querer permanecer.
E não saber, até o fim, se foi amor que encontrou a gente ou se fomos nós que encontramos a morte pelo caminho.
Mas que viva o amor.
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