Filho da loucura
Creio que escrevo por puro pecado de não ser. Mas o que será que sou? Alguém em busca de alguma atenção? A solidão me faz companhia. Hoje, por alguns minutos, a angústia bateu. Sou filho da loucura. Nasci na inocência e, no meio desse percurso, cometi vários pecados. Alguns por ignorância, outros por desejo, outros simplesmente por não saber o peso das escolhas. Talvez meu pecado não esteja apenas naquilo que fiz, mas também naquilo que deixei de ser enquanto fazia. E talvez seja por isso que escrevo, para dar nome ao que perdi pelo caminho. Minha clemência não é o perdão. É a escrita. Minha maldição é escrever para o resto da vida. Talvez escrever seja minha penitência. Talvez seja minha absolvição. Que estranho tipo de clemência é essa: ser condenado justamente àquilo que me mantém vivo. Que eu não termine sozinho, mas também não mal acompanhado. Talvez nunca se saiba como algo termina, nem mesmo o que escrevo aqui.
Perdi o jeito de escrever.
Ou talvez nunca tenha perdido.
Talvez só ainda não saiba o que estou tentando dizer.
© 2026. Todos os direitos reservados ao autor. É proibido copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas ou utilizar comercialmente esta obra sem autorização expressa do autor.
Classificação de conteúdo:
Publicado

Comentários