O Fundo do Poço Também Tem Céu: Entre a Falta, o Vazio e o Desejo, Há uma Silenciosa Reconstrução de Si Mesmo
Há quedas que têm o peso de um fim. A vida, sem aviso, nos lança em abismos que jamais imaginamos atravessar. E é justamente ali, no encontro com a falta, com os vazios e com os desejos que não se cumprem, que algo em nós começa, lentamente, a nascer de novo.
Freud nos recordou que nem sempre somos senhores da nossa própria casa. Existe em nós um território desconhecido, feito de silêncios, feridas e desejos que escapam ao nosso entendimento. Por isso, às vezes, é preciso descer às próprias profundezas para descobrir uma força que ainda não sabíamos possuir.
Talvez seja isso a resiliência: a capacidade de se reinventar quando tudo parece perdido, de reconstruir-se a partir dos próprios escombros. Nenhum outro pode fazer essa travessia por nós. Há caminhos que são íntimos, silenciosos e profundamente solitários.
E quem sabe uma análise, uma terapia ou simplesmente um encontro mais honesto consigo mesmo possam se tornar um lugar de escuta, uma possibilidade de iluminar aquilo que, em meio ao caos, ainda pede para ser compreendido.
Porque alguns abismos não nos engolem. Alguns apenas nos devolvem para nós mesmos.
Jorge Lannes Junior
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