ANTES DE REGRESSAR
Sou o endereço de alguém que já se mudou, embora seus pertences permaneçam intactos. As lembranças ainda ocupam seus lugares, mas já não me pertencem da mesma maneira. Há qualquer coisa de estranha em reconhecer tudo e, ainda assim, sentir-se alheio. Por vezes, pareço assistir à minha própria existência, como se outro de mim soubesse viver melhor aquilo que me cabe. Talvez eu não tenha partido; apenas me ausentei tantas vezes que já não sei qual de meus eus deveria regressar. E o mais inquietante é continuar sendo reconhecido pelos outros quando, por dentro, já não sei quem atende pelo meu nome.
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