Antes de enjoar de mim, enjoo da humanidade
Há períodos em que a humanidade me causa certo fastio. As conversas parecem repetitivas, as presenças dispensáveis e os discursos, por mais elaborados que sejam, acabam revelando as mesmas velhas inquietações.
Prefiro meus livros, alguns cigarros e a quietude dos meus pensamentos. Não me apetece sair, conversar ou participar das habituais encenações da vida. Há uma espécie de liberdade em não precisar estar disponível para tudo e para todos.
Talvez seja apenas uma questão de saturação. Curiosamente, tenho essa tendência: enjoo da humanidade antes mesmo de enjoar de mim. Afinal, há momentos em que o mundo continua precisando de plateia, mas já não encontramos disposição para assistir ao espetáculo.
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