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Dia 2 de novembro

Despertei com o corpo inteiro em languidez. Não me apeteceu fazer coisa alguma. Liguei a televisão e deixei que as horas escorressem diante dos meus olhos, como se a vida pudesse acontecer sem que eu precisasse tomar parte nela. Não quis escrever, não quis ler, tampouco estabelecer intimidade com o mundo. Havia em mim uma espécie de recusa, um recolhimento que não exigia explicações.

Somente ao entardecer senti vontade de registrar alguma coisa. Não propriamente escrever, mas deixar um vestígio daquele dia. Talvez os finados tenham alguma influência sobre certas indisposições da alma. Há ausências que não precisam ser nossas para que nos façam companhia.

Finalmente escrevi. Adentro uma semana sem saber se me reserva turbulências, sobressaltos ou a rara complacência da paz.

A solidão, entretanto, continua sendo uma das minhas companhias mais aprazíveis. Não a confundo com abandono, tampouco com tristeza. Existe uma espécie de opulência no estar só, um luxo quase aristocrático para quem aprendeu a apreciar a própria companhia sem precisar preencher todos os silêncios.

ESCRITO POR Jorge Lannes Júnior 13 K leituras
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