Arqueologia do Silêncio
A casa guarda em suas paredes os ecos de quem partiu sem fechar a porta. Eu encontro, atrás do espelho empoeirado, a metade de um abraço que nunca se completou.
Os objetos não choram ,eles apenas esperam na penumbra da gaveta, como quem sabe que o fim é só uma forma de insistir.
Eu sou o que restou depois que o barulho foi embora: o último andar de um prédio abandonado, a luz que fica acesa sem ninguém para apagar.
E há beleza nisso nessa arqueologia do silêncio onde escavo, todos os dias, os ossos de quem eu fui e ainda não enterrei.
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