O amor é exatamente o contrário do que o ser humano imagina.
Há quem procure o amor como quem procura um destino. Eu o encontro nos detalhes que quase ninguém percebe. No silêncio que acolhe sem exigir respostas. No abraço que não pede explicação. Na presença que permanece, mesmo quando as palavras se ausentam.
Talvez, para encontrar o amor, seja preciso parar de procurá-lo com tanta força. Muitos desistem porque imaginam que ele esteja sempre nos lugares mais evidentes, quando, muitas vezes, ele repousa nas gavetas esquecidas, nas portas dos guarda-roupas que há muito tempo não se abrem, nos pentes do banheiro que ninguém mais toca, debaixo da cama para onde ninguém mais se curva a olhar, na beira da praia que tantos receiam atravessar ou até na janela que insiste em permanecer aberta. E, justamente por isso, às vezes é preciso fechá-la para, enfim, encontrar o amor.
Para escrever sobre o amor, é preciso esquecer quase toda teoria. O amor é maior do que aquilo que pensamos, maior do que aquilo que imaginamos e, sobretudo, maior do que tudo aquilo que conseguimos sentir. Ele não invade de uma só vez. Aproxima-se em silêncio. Um segundo, um minuto, uma hora, duas, três, doze, vinte e quatro. Um dia, dois, três, um mês, um ano. O amor conhece o tempo que lhe pertence. Não se apressa. E, quando tentamos acelerá-lo, raramente encontramos o amor; encontramos apenas um desencontro.
O amor não é aquilo que despedaça por dentro, que nos arremessa de um extremo ao outro ou que nos faz viver apenas da intensidade. Isso pode ser outra coisa. O amor é muito mais silencioso do que imaginamos. Relacionar-se é uma experiência. Amar é outra. E amar está muito além de desejar. O amor talvez não siga uma ordem cronológica, mas existe um tempo próprio para aprender a amar.
Talvez o amor não esteja naquilo que ainda se escreve. Talvez ele esteja justamente naquilo que já foi escrito. O amor quase nunca está onde insistimos em procurá-lo. Na verdade, ele nunca esteve tão escondido assim. Talvez sejamos nós que ainda não aprendemos a olhar para a luz que o amor acende, sem nos apoiarmos em teoria alguma.
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