Entre a Chuva e o Fogo
Anoiteceu e choveu. Uma chuva mansa, dessas que não apenas molham a pele, mas alcançam lugares que ninguém vê. A chuva me atravessa e me ilumina de um jeito estranho, como se lavasse os excessos do dia e devolvesse à alma aquilo que ela havia esquecido. O amor, dizem, revela-se através do fogo. E talvez seja verdade. Há amores que queimam, que consomem, que transformam tudo em brasa. Mas a chuva também conhece os segredos do amor. Há algo de profundamente humano em dividir um abrigo, um silêncio ou um olhar enquanto a água cai lá fora. O fogo aquece. A chuva aproxima. O fogo nasce do encontro. A chuva, às vezes, nasce da saudade. E escrever sobre o amor nunca foi um desafio. Difícil é acreditar que ele pode ser dito por inteiro. Cada texto revela apenas uma de suas faces. Cada palavra toca apenas uma parte do mistério. Porque o amor nunca se repete. Muda de forma, de voz, de pele e de nome. E talvez seja por isso que continuamos escrevendo sobre ele. Não para explicá-lo, mas para permanecer próximos daquilo que jamais conseguiremos compreender completamente.
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Comigo. Também no site da editora clube de autores. Só pesquisar o meu nome e o título do livro: sentimentos em palavras: Á luz das minhas angústias.