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Verso Bipolar, Prosa Borderline. O Nome é Deles. A Palavra é Minha.

Entre diagnósticos, sintomas e histórias, permanece um sujeito que não aceita ser reduzido ao nome que recebeu.

Verso Bipolar, Prosa Borderline.

O Nome é Deles. A Palavra é Minha.

A bipolaridade é uma poesia que atravessa uma espécie de mania, talvez a compulsão de escrever todos os dias, fazendo uma junção entre a crônica e o borderline, entre a euforia que se eleva e a melancolia que retorna.

Há um sujeito dividido dentro de si que diz: "Quero tudo agora, agora." Eu quero agora, agora. E outro que sussurra: "Acalme-se", talvez pela escuta analítica que atravessou seus anos.

E então surge a euforia, os cortes, o sangue que escorreu pelos braços. Escreve os surtos psicóticos que atravessou ou não atravessou, ou talvez tudo seja uma construção da própria linguagem tentando dar contorno ao indizível.

A euforia que proporciona o gozo da palavra, a sensação de ser tudo. E então acredita ser tudo, até que a melancolia retorna e revela que talvez não seja nada, depois de atravessar ruínas para o outro e para si mesmo.

Existem momentos de escritas mistas, entre manias e hipomanias. É curioso escrever hipomania, porque conhece "hipo" como algo baixo e "hiper" como algo alto. Mas isso é outra coisa que não deseja escrever.

Então, a bipolaridade é um verso que se encontra com a prosa do borderline, sem garantia alguma. Os dois se encontram, mas entra o sujeito, atravessado por sua história, pelo tratamento e pela tentativa de não ser reduzido ao nome que recebeu.

Nas gavetas permanece o diagnóstico profundo, mas ele não define aquilo que esse sujeito é no mundo.

O que permanece é a escuta, recebida a cada semana, no horário marcado de sua análise. Talvez seja ali que ele encontre uma forma possível de sanidade: haver-se com suas próprias faltas, reconhecer o vazio sem precisar preenchê-lo completamente.

Tornou-se amigo da angústia e tenta, através do desejo, tocar aquilo que falta. Por isso tantas vezes encontra a ilusão.

Aprendeu que nem tudo se cura, e que uma cura absoluta talvez também pudesse apagar aquilo que constitui o sujeito.

Então comprou um porrete, não para ferir outro ser humano, mas para confrontar aquilo que está escrito no diagnóstico.

Entre um verso de bipolaridade e uma prosa de borderline, ele golpeia as palavras que tentaram aprisioná-lo e esmaga as certezas que queriam defini-lo.

Mas há dias em que não possui força para isso.

Mesmo assim, não deixa que se aproximem.

E, quando encontra força novamente, é melhor afastar-se, porque ele vai matar.

Não o outro.

Mas aquilo que durante tanto tempo tentou dizer quem ele era.

ESCRITO POR Jorge Lannes Junior 1 K leituras
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