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O Direito de Me Desconhecer Há profundezas que nem o amor consegue alcançar.

O Direito de Me Desconhecer Nem toda distância nasce da ausência; algumas nascem do excesso de profundidade.

Quem me conhece demais se assusta. Se assusta porque, pouco a pouco, aquilo que habita em mim acaba se revelando. Se assusta porque minhas cicatrizes não são discretas, porque minhas marcas carregam histórias que nem sempre suportam a luz. Se assusta porque chega perto demais de um eu que jamais será completamente decifrado. Talvez seja por isso que, à medida que alguém me conhece, eu permita que também me desconheça. Não por mentira, mas por proteção. Não para esconder quem sou, mas para poupar o espanto que existe em atravessar certas profundezas. E assim acontece com o amor. Não deixo que o amor, nem quem me ama, me conheça por inteiro. Conhece apenas uma metade, e isso não significa amar pela metade. Ou me ame inteiro, mesmo sem me possuir por completo, ou não me ame jamais. Porque conhecer tudo é um privilégio que nem eu concedo a mim mesmo. Há portas que permanecem fechadas até para quem carrega a chave. E se um dia alguém olhar para dentro e decidir partir, encontrará a saída aberta. Não sou de implorar permanências nem de chorar ruínas por muito tempo. Sou de recolher os escombros, transformar destroços em palavras e seguir adiante. Em menos de sete dias já me reinventei incontáveis vezes. Escrevo sobre tudo o que me atravessa, e aquilo que se torna escrita deixa de me pertencer. Pode chamar de fim, se quiser. Eu chamo de passagem. Porque onde alguém enxerga encerramento, eu encontro a primeira fresta de um novo começo.

ESCRITO POR Jorge Lannes Junior 3 textos
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Jean
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