Amores de Ilusão
É mais fácil atravessar a vida com uma meia rasgada, puída e desfiada do que permanecer dentro de um relacionamento que, pouco a pouco, também nos rasga. A meia expõe apenas a pele. Certos amores expõem a alma. A primeira ainda pode ser remendada ou substituída. O outro, quando sustentado pela humilhação, pelo medo e pela dependência, vai costurando em silêncio uma ferida que nenhum fio consegue fechar. Há quem tenha vergonha de sair com uma meia rasgada, mas continue vestindo um amor que já lhe arrancou a dignidade. Talvez porque seja mais fácil admitir um rasgo no tecido do que reconhecer o rasgo em si mesmo. No fim, a meia nunca foi o problema. O problema sempre foi acreditar que permanecer dilacerado era uma forma de amar.
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