Aquilo que insiste em nascer
Um ótimo dia, um ótimo bom dia, uma ótima boa tarde, uma ótima boa noite. É algo de educação. É no simples da vida que também devemos nos procurar. Talvez as segundas-feiras sejam uma oportunidade de dar uma segunda chance àquilo em que erramos. Aprenda com os erros e faça deles algo seu. Mas faça por você, não pelo outro. Ame por você, não pelo outro. Trabalhe por você, não pelo outro. Tudo o que fizer nesta vida, faça primeiramente pensando em você, e não pelo outro. Cuide, principalmente, da sua mente. É ela que sustenta o seu corpo inteiro. Que possamos encontrar leveza em meio ao caos que cada um vivencia à sua maneira, em sua singularidade. E que, para mais além disso, tornemo-nos, a cada segunda-feira, menos reféns do ontem e mais disponíveis para aquilo que ainda insiste em nascer. E há algo que insiste em nascer dentro de mim. Algo que explode o peito, que explode a alma, que rasga dentro de mim, que explode como a explosão de uma bomba em meu coração. Há algo dentro de mim que grita e faz morada no silêncio. E que explode na leitura. Mas, para mais além disso, vivo uma bomba na escrita. Escrevo para acordar e acordo para escrever. Também transcrevo para dormir. E durmo para desejar a escrita. Há algo que não se explica. Fixo o meu olhar em algo que já está ali, quietinho. Mas insisto em cutucá-lo, como uma ferida que ora está fechada, ora está aberta. Mas insisto em cutucá-la. Justamente para sentir dor. Gosto de sentir dor. Não sentir nada é como se eu estivesse morto. É preciso sentir algo para me manter vivo. Escrevo para me manter aquilo que ainda não posso ser. Escrevo para sonhar na escrita, com a atenção de uma análise cuidadosa que faço de mim mesmo. E aí continuo mais uma vez. E de outra vez. Penso mais do que escrevo. Escrevo mais do que penso. Nunca sei quando vou parar. Só sei que parei por agora, porque, contraditoriamente, se eu tivesse parado, ainda não estaria escrevendo. As luzes. Os restos da minha linguagem. Do meu eu procurando quem sou eu. E eu nunca acho. Talvez porque algumas perguntas não tenham nascido para encontrar resposta, mas para continuar escrevendo quem insiste em formulá-las.
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