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Sangue que Não Estanca

Se eu não escrevo, talvez eu possa ser a morte.

E se eu sou a morte, eu escrevo.

E no intervalo disso tudo, eu faço uma travessia.

O que me acontece quando eu digo?

E quando eu digo, algo tem de obedecer.

Mas quando eu não quero, eu viro aquilo que me invade

e faço mesmo assim, como quem assina o próprio corte.

Eu me rasgo, digo que é simbólico, para não confessar o corpo.

Ninguém me conhece inteiro, nem eu.

Eu viro angústia, eu viro falta, eu viro tristeza,

eu viro livro, eu viro capa.

E no final, eu me transbordo,

mas eu me viro no que eu não sei sangrar.

Porque o sangue é dentro, e é de dentro que eu escrevo.

Sem pretensão alguma, eu escrevo.

Não escrevo pra mim, nem para o outro, nem para ninguém.

Aliás, eu escrevo porque escrevo.

Se um dia alguém ler isso e não gostar, que me jogue pedra.

Até porque, no fundo, bem lá no fundo,

não é possível agradar a todos e, às vezes, até a ninguém.

ESCRITO POR Jorge Lannes Junior 4 K leituras
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