Tema

O Dia Passou por Cima de Mim e, Entre os Escombros, Ainda Espero o Meu Renascimento.

Uma travessia pelas mortes que ninguém vê, pelos silêncios que o corpo carrega e pela espera de um renascimento que ainda não tem data.

O dia passou e passou por cima de mim. Há dias que não terminam, apenas nos atravessam. Entram pela manhã e, quando a noite chega, deixam sobre a mesa um homem que já não se reconhece no próprio reflexo.

Hoje, estou morto. Não no sentido que os cemitérios entendem. Estou morto como morrem certas esperanças: devagar, em silêncio, sem testemunhas. Existe uma espécie de morte que continua pagando contas, respondendo mensagens e dizendo que está tudo bem.

Talvez eu renasça. Não acredito nos renascimentos anunciados. A vida costuma devolver alguém a si mesmo de maneira discreta: por uma palavra ouvida no momento certo, por um afeto que bate à porta sem aviso, por uma manhã qualquer em que o peito, sem explicação, decide respirar de novo.

Por hoje, é isso. Um cansaço emocional que se derrama sobre o corpo e o transforma em pedra. A alma adoece em segredo, e o corpo, incapaz de guardar tantos silêncios, acaba falando por ela.

Agora me recolho. Não porque desisti, mas porque até as ruínas precisam de noite. E, em algum lugar que ainda desconheço, talvez uma parte de mim esteja preparando o seu retorno.

ESCRITO POR Jorge Lannes Júnior 10 K leituras
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