Os Mortos Ainda Me Dizem Alguma Coisa
Vivam os Mortos, Enquanto Eu Escrevo
Vivam os mortos. Vivam aqueles que estão mortos, já que os que se dizem vivos não me valem de nada. E que viva eu também. Não estou valendo muito, mas estou escrevendo. Não posso generalizar. Alguns vivos já me ajudaram, outros tentaram me afundar. Alguns seguraram minha mão, outros fizeram questão de soltá-la. Aqui eu nem sei o que escreverei, e também não tenho pretensão alguma de jogar isso para qualquer lugar. Talvez eu escreva, talvez eu pare, talvez alguém leia. Quem gostar, gostou. Quem não gostar, que bata palmas.
Os vivos jogam pedras, os mortos deixam palavras. Os vivos se afundam no próprio achismo e acham que a dor do outro é frescura, exagero ou falta de força. Os mortos não. Talvez porque já tenham ido embora. Talvez porque tenham deixado alguma coisa antes de partir. Um livro, uma frase, uma ideia, uma ferida. E às vezes é justamente isso que ajuda.
Não espero que a vida salve ninguém, nem a mim. Apenas estou escrevendo. E que viva eu também. Ainda estou aqui. Ainda escrevo. Vivam os mortos. Os que se dizem vivos não me valem de nada.
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