Tema

PERDÃO, 2026.

Primeiro, peço perdão por te culpar por tudo o que vivi. Entrei neste ano tentando suicídio, e isso se repetiu até que descobriram o que estava acontecendo.

Segundo, fui encaminhado ao meu psiquiatra e, posteriormente, ao INSS, porque eu precisava de tratamento e de condições para me recuperar.

Terceiro, meu benefício nunca foi concedido, e precisei recorrer à Justiça Federal.

Quarto, não era apenas uma questão financeira. Eu precisava manter minhas medicações e minha análise psicanalítica, mas, sem o benefício, nem sempre consegui seguir meu tratamento como deveria.

Quinto, as negativas afetaram ainda mais minha saúde. Faltaram recursos para pagar o aluguel, comprar minhas medicações e continuar a terapia.

Sexto, mesmo conseguindo pagar o aluguel com o dinheiro de um livro que publiquei, precisei voltar a morar com minha mãe, por orientação do meu psiquiatra, pois eu não podia continuar morando sozinho.

Sétimo, ainda não estou totalmente bem, mas estou melhor do que antes. Vivo oscilações que nem sempre consigo controlar. Há dias em que quero fazer tudo depressa demais e outros em que mal consigo fazer o necessário.

Oitavo, ja faz sete meses suportando mais do que muitos imaginam. Não peço que compreendam tudo, apenas que não julguem uma dor que não é sua.

Nono, se me acharem estranho, respeitem. Até eu precisei aprender a respeitar minhas próprias estranhezas. Nasci de cesárea. Por que, afinal, eu seria normal?

Décimo, às pessoas, não peço nada. Quero pagar o que devo com calma e esperança, aguardando o benefício de que preciso. Não era somente dinheiro. Era também a possibilidade de continuar cuidando de mim quando eu já não conseguia fazer isso sozinho.

Décimo primeiro, desculpem todos os que lerem estas palavras. Eu precisava escrevê-las a punho, publicá-las neste portal, lançá-las ao mundo e, depois, queimar o papel. Talvez escrever seja isso: deixar que alguma coisa saia de dentro antes que nos consuma. Não sei se escrevo para ser compreendido ou para finalmente abandonar aquilo que, por tanto tempo, não consegui dizer.

Perdão, 2026. A culpa não é sua. Não sei de quem é, talvez nem exista um culpado. Sei apenas que o ano está terminando e eu continuo aqui: vivo, limpo e tentando me reconstruir.

E esse é o meu bem maior.

ESCRITO POR Jorge Lannes Júnior 10 K leituras
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