Tema Acessibilidade

O Rio que Não Segura

O Rio que Não Segura Tudo o que lembro escorre pelas frestas dos dedos, e fica só o frio claro de ter tido algo nas mãos. Minha infância é uma água que passou por esta casa sem pedir licença à porta, sem deixar pegadas na soleira, só o brilho úmido de uma tarde que ninguém guardou. Quis prender o rio numa jarra. A jarra guardou a forma, e o rio levou a pressa de ir. Preciso ser preciso: não foi o tempo que me tirou as coisas. Fui eu que aprendi a olhar só quando já corriam. Hoje sento na margem do que fui e deixo que a luz me atravesse como atravessa o vidro, sem ferir, sem ficar. Talvez saudade seja isto: a delicadeza de ter sido molhado por aquilo que não volta, e secar devagar, agradecido.
ESCRITO POR Kleber Luís Antônio Pinheiro 1 K leituras
15 textos
Direitos Autorais

© 2026. Todos os direitos reservados ao autor. É proibido copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas ou utilizar comercialmente esta obra sem autorização expressa do autor.

±100 leituras
Classificação de conteúdo:
Seguro

Publicado
Denunciar conteúdo
Este conteúdo foi publicado por um autor da plataforma e é de sua responsabilidade. Ele deve respeitar a Política de Conteúdo do Portal Escritores. Caso identifique alguma violação, utilize o Fale Conosco.

Comentários


Mais textos deste autor