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A Floresta que Me Lê

Na estrada de volta, o motor desliga

e o escuro passa a ser a voz.

Os pinheiros não me olham:

me leem,

página por página,

com a paciência de quem não precisa de resposta.

Atrás de mim, a casa acende uma janela

só para provar que existo.

Adiante, a neve guarda

o rascunho de um passo

que ainda não dei.

Preciso ser preciso:

não é o silêncio que pesa,

é o que ele sabe de mim

e não conta.

Há um instante em que o corpo é uma ponte

entre o que dorme e o que lembra,

e por ela atravessam, sem pressa,

os cavalos de uma infância

que nunca estive pronto para montar.

Talvez a paisagem seja só isto:

uma mão enorme e fria

que me devolve o nome

quando eu já tinha desistido de ser chamado.

ESCRITO POR Kleber Luís Antônio Pinheiro 1 K leituras
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